sábado, 26 de março de 2016

Dei meu primeiro beijo aos 16 anos. Não sei se isso é cedo ou tarde mas quando eu era adolescente parecia tarde - praticamente todas as minhas amigas já tinham beijado -. Eu obviamente perdi as matinês e a excitação do flerte adolescente porque estava no meu quarto lendo. Não me arrependo. Não consigo me arrepender realmente de nenhuma escolha que eu tenha feito por mais estúpidas que as minhas escolhas possam ter sido. O nosso caminho é feito dos nossos erros e acertos e eu tento estar ok com isso.
Dei meu primeiro beijo aos 16 anos e só fui beijar outra pessoa aos 17. E depois senti muita angústia. Não exatamente porque essa outra pessoa era uma menina mas por causa do simples e natural fato de ter beijado alguém em uma festa, na frente de todo mundo do colégio (que nessa época era praticamente o mundo inteiro que eu conhecia). Eu lembro que várias pessoas ficaram impressionadas com isso também, lembro de alguém me dizendo "eu não estou impressionada porque você beijou uma menina, eu estou impressionada que você tenha beijado alguém". Não tenho certeza se isso é algo que se diga a alguém, não aconselho. Entre um beijo e outro, no entanto, eu também estava muito angustiada, vivendo a minha adolescência de forte repressão sexual e culpa cristã. Fiz anos de terapia e não consegui entender o que me levou a esse lugar de não me permitir sentir desejo por ninguém. No fundo, acho que foi sempre o medo da rejeição. A insegurança era tanta que era mais fácil fingir que não me interessava por ninguém do que encarar que outra pessoa podia não se interessar por mim. Eu me sentia feia nesse único universo escolar que eu conhecia, em que todas as "meninas bonitas" eram completamente diferentes de mim. De qualquer forma, quando todas as pessoas te acham fechada e inatingível e fazem questão de te dizer isso, você acaba acreditando que é de fato fechada e inatingível e quando a sua a natureza te lembra que você também sente desejo é difícil conseguir lidar bem com ele.
Com 18 anos, já na faculdade, ainda virgem (o que era razão de algum constrangimento no trote, você não é tão legal quando entra numa faculdade de ~artes~ sendo virgem), começo a tentar me libertar - talvez os vários anos de terapia tenham dado algum resultado - mas aí logo de cara eu me apaixonei. Perdi a virgindade em um namoro monogâmico e burguês com um namorado carinhoso e paciente, como deve ser. O ruim de ser muito jovem e estar em um relacionamento com um homem é que, por mais que ele seja uma ótima pessoa, parece que funciona a lavagem cerebral de pensamentos retrógrados que fazem uma menina jovem acreditar que tem que fazer sexo até quando não está muito afim porque o namorado está. Foi esse o momento em que comecei a acreditar que talvez não gostasse muito de sexo - as vezes ainda acredito nisso. Quer dizer, é claro que eu gosto mas consigo pensar em várias outras coisas que me fazem mais felizes que sexo.

Enfim, no final de 2014, com 20 anos, fiquei sem namorar pela primeira vez desde os 18. Depois da adolescência de autorepressão e os namoros nos quais eu era obrigada a lidar constantemente com as demandas sexuais de outra pessoa, me vi pela primeira vez livre. Seja lá o que essa palavra significa. Porque no fundo, você não é livre. A impressão que eu tenho é que se você decide ficar um longo período sem ficar com ninguém, todo mundo a sua volta tem certeza absoluta de que tem alguma coisa errada. Aí você começa a ficar com alguém as vezes e quando se dá conta está transando com pessoas só porque é uma oportunidade de transar, sem ter realmente vontade. Então você se relaciona com alguns homens que parecem nem se preocupar se você é realmente um ser humano. De repente, vi minha energia ser completamente sugada por estar desperdiçando ela com uma porção de gente que não está realmente disposta a trocar.

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