Loreninha rolou na cama apertada e caiu no buraco, acordou. Insone. Loreninha acordou e caiu no buraco, a concha. Perguntasse a Paulo como faz para deixar a concha, responderia "é só forçar a saída, Loreninha". Mas Loreninha e seus olhos insones vagam pelo quarto. Não tivesse medo, soubesse usar os braços, arrombava mesmo a porta e saía. Nua. Não tivesse medo, soubesse usar os braços, as pernas, a boca. Quem tem boca vai à Roma mas Loreninha não vai a lugar algum porque não sabe usá-la. Ou sabe. Sabe muito bem. Sabe bem demais. Não quer. Sei lá. A resposta não está no cubículo quente de tijolos no qual Loreninha sua. Também não está no mundo porque nesse mundo não há resposta, só perguntas. Um mundo em que nada é solução e no entanto também nada pode ser realmente um problema. Perguntasse a Paulo, diria que é um desperdício uma menina tão bonita feito Loreninha passar a vida buscando a resposta da vida na não-vida. Já Loreninha diria que não é uma menina tão bonita e que muito menos gasta sua vida buscando uma resposta que sabe muito bem que não pode encontrar. "I'm only sleeping" diriam os Beatles. Diria Loreninha.
Quando deixa de se sentir uma feia ressentida Loreninha levanta da cama e lembra como faz para se usar braços, perna e boca. Também não sente mais medo.
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