Os acordes da sua música favorita. Não existia mais nada no mundo além da certeza da minha presença naquela sala escura e aquele guitarrista, na minha frente, dedilhando intensamente os acordes da sua música favorita. E os meus olhos ardiam, porque tudo o mais era falta. E nem mais de chorar sou capaz. Durante aqueles minutos insanos, aquele solo de guitarra, todas as minhas incertezas planavam por ali, e eu gritaria, subiria no palco, se fosse necessário para me fazer acreditar em mim: eu fiz a coisa certa. Depois, aquela mão no meu ombro e sabia que eu era pura rigidez, e que olhava para frente com os olhos vidrados, porque tomava consciência do que teria daqui para frente. E depois daquela imagem me torturar até o final do solo eterno eu só pude concluir que tinha feito a coisa a certa mesmo. Que poderia subir ao palco e gritar "Tu serás feliz, Bentinho!", mesmo que Bentinho seja você. E enquanto minha mente estava bem longe de mim, o meu colo sentia o peso daquela cabeça e os meus dedos sentiam aquele cabelo macio. E eu quis desesperadamente que fosse o peso da sua cabeça, que fosse o seu cabelo seco aquele que meus dedos sentiam. Então lembrei: eu fiz a coisa certa. Na eternidade desses dias que parecem não terminar nunca, eu sou impiedosa e dedico todo o meu amor apenas a mim.
Eu fiz a coisa certa.
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